Meus
nobres colegas, a história de hoje é um alerta sobre o perigo de subestimarmos
as pessoas com base em preconceitos. Às vezes, quando nos deixamos levar por ideias
pré-concebidas, podemos entrar num caminho tortuoso que pode nos levar à
derrota ou, como nesse caso, ao opróbrio. O preconceito nos impede de fazer uma
avaliação correta e desapaixonada da realidade.
O
caso de hoje aconteceu naqueles tempos épicos em Tão Tão Distante. Havia na
gloriosa aldeia pioneira um sargentão antigão, faixa preta em uma dessas artes
marciais do Japão, que passava o dia todo andando de quimono no quartel, igual
ao Sr. Miyagi. O seu serviço era cuidar do tatame e só dava aulas muito
raramente, quando o comandante fazia uma escala extra na folga dos POzeiros.
Então os dedicados policiais vinham “putos de raiva” participar das aulas e
adquirir a sabedoria do grande mestre.
Em
sua aula, ele gostava de demonstrar como se deve dar um soco. Ele fazia uma
cara feiíssima, ficava vermelho feito um pimentão e dava um violentíssimo soco
no ar gritando: PATCHÔÔÔÔÔ! Os polícias quase ficavam com medo, de tão medonha
que era a careta que ele fazia. Então, de tanto falar PATCHÔ, seu nome ficou
PATCHÔ. Seu verdadeiro nome de guerra ninguém se lembra, mas lá no pioneiro é
só falar no PATCHÔ, que todo mundo lembra.
Pois
bem, tinha uma coisa que tirava o PATCHÔ do sério: jiu jitsu. Quando alguém
falava em jiu jitsu nas aulas dele, ele ficava nervoso e depois de duas horas
de discurso provava que sua milenar arte marcial era a melhor de todas. Para
ele Jiu jitsu era coisa de playboy brigão. Então num belo dia os POzeiros
estavam no tatame para a aula. Depois de certo tempo, em um treinamento sobre
imobilizações, um policial disse uma heresia abominável: SARGENTO, SÓ O JIU
JITSU SALVA!
Como
discursos não adiantavam mais, então o irresignado PATCHÔ resolveu provar na
pratica a superioridade e a infalibilidade de sua arte marcial. Então ele olhou
em volta e, depois de pensar bem, escolheu um novinho.
Com
relação a esse novinho, convém explicar bem o motivo do PATCHÔ escolhe-lo. Esse
novinho era do tipo que fazia unhas, andava parecendo que estava pisando em
ovos sem olhar pros lados. Era lento e delicado no se movimentar e meticuloso
no falar. Andava perfumado feito uma dama da noite. Usava um óculos escuros
que, de tão fashion, quase matava seu companheiro de PO de vergonha. Não digo
que era pederasta, posto que não era assumido e, diante disso, é justo que
utilizemos o princípio do in dúbio pro reo.
Pois
é, quando o PATCHÔ viu aquele gentil novinho pensou logo que era o menos
ameaçador de todos. Então mandou o amável novinho segurar o seu pescoço por
trás. E o afável novinho deu o famoso “mata leão”. Porém meus nobres, além de
ter alguns conhecimentos em jiu jitsu, o novinho era relativamente forte.
Então
o novinho começou a apertar o pescoço do sargento que tentava esquivar-se do
golpe. Enquanto o PATCHÔ fazia uma catadura terrível de esforço e sofrimento, o
novinho permanecia impassível com o pescoço do sargento em seus braços. Depois
de um minuto de martírio, o novinho deu uma afrouxada no pescoço, pois ficou
com medo de matar o PATCHÔ sufocado.
Depois
de dois ou três minutos de uma luta impiedosa, os outros PPMM temeram pela vida
do grande mestre, pois ele não tinha mais idade para aquelas extravagâncias.
Então, percebendo que mesmo que passassem mil séculos o sargentão não ia
conseguir se desvencilhar, o novinho fingiu que deu uma bobeada para nosso
amigo se soltar. Nesse momento ele se soltou rapidamente e, não satisfeito,
jogou o novinho no chão gritando bem alto, num misto de alívio e glória:
PATCHÔÔÔÔÔ!
Depois
daquele dia as aulas do nosso honorável mestre passaram a se resumir apenas a
socos no ar.
FIM
NÃO
TEMOS TEMPO DE TER MEDO!
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